quarta-feira, setembro 06, 2006

CARREIRA - UM SEGUNDO IDIOMA É FUNDAMENTAL

Eu hablo viel languages (e você, quantas fala?)
Aprender um segundo ou terceiro idioma é fundamental para uma carreira bem sucedida, mas fique atento a alguns fatores. Ou você vai correr o risco de sair por aí falando portunhol ou um inglês pra lá de errado
TEXTO: MARLEY TRIFILIO - REVISTA VIDA EXECUTIVA


Você já está acostumado a abrir o caderno de empregos do jornal e ver um anúncio pedindo inglês fluente e até uma terceira língua, de preferência. Pode ser espanhol, alemão, japonês, russo ou outro idioma. Esses requisitos se devem, basicamente, porque o Brasil mantém relações comerciais com diversos países ou porque multinacionais estão instaladas por aqui e precisam ter funcionários que se comuniquem com a equipe da matriz no país de origem. Para se ter uma idéia, em São Paulo estão instaladas mais de 1.200 empresas alemãs. Também exportamos carne bovina para a Rússia. Isso, entre outras transações comerciais, já garante mercado para quem se predispôs a aprender uma outra língua.
Segundo o professor de idiomas Carlos Rigueira, autor do livro Línguas - Como obter sucesso no aprendizado, que será lançado este ano, embora seja pedido um terceiro idioma pelas empresas, esse requisito é menos exigido do que o inglês. "A terceira língua conta como um grande diferencial, mas ainda é possível obter uma boa vaga no mercado de trabalho se não a tiver. Mas a segunda... Sem o inglês não há (como conseguir) bons empregos", observa o professor.
No Brasil, assim como em muitos outros países, o idioma do universo corporativo é o inglês. E quem não souber falar e escrever essa língua pode ficar fora logo na primeira etapa de uma seleção profissional. Contudo tem um lado positivo: cada grau de domínio de inglês representa um acréscimo de R$ 626 por mês no salário, para o cargo de diretor, e R$ 949,30 para o de presidente, segundo pesquisa desenvolvida pela Catho, empresa de recolocação no mercado de trabalho. "Saber falar inglês é uma coisa básica para os profissionais, não um diferencial", sentencia Thomas Case, presidente da Catho.
Decoreba não vale

Até aí, tudo bem. Você já se conscientizou de que só com o português não vai muito longe na carreira. Mas entre saber disso e aprender um outro idioma há um longo caminho, principalmente se a questão é saber falar e escrever fluentemente. Para a professora Maria Antonieta Celani, do Departamento de Inglês da PUCSP, existe uma grande diferença entre saber falar e aprender uma língua. "Decorar palavras e expressões não significa ter fluência em um idioma. Essa aprendizagem significa muito mais do que isso. Tem a ver com cultura, com o uso da língua, com a carga emocional", explica. "Aprender uma língua significa estar engajado em um processo", completa a professora Patrícia Mckay, da escola de idiomas Cel-Lep.
Questão de foco

A essa altura deve estar sentindo um nó na garganta quem colocou no currículo "inglês fluente", e enviou para aquela vaga tão sonhada na multinacional de maior destaque na área de atuação. Calma. Mesmo sem ser um expert na língua exigida, não está necessariamente fora do jogo, ou melhor, da seleção. Tudo vai depender do uso do idioma. Para o cargo de arquivista, por exemplo, de uma multinacional alemã instalada em São Paulo, foi exigido que os candidatos soubessem alemão. Na realidade, era necessário apenas saber ler. "Para essa função bastava que a pessoa identificasse os assuntos dos documentos e os separasse", conta o professor Carlos Rigueira.E é esse foco - o de saber por que e para que fazer um curso de línguas - uma das coisas mais difíceis de ser identificada pela maioria das pessoas. Segundo a professora Susana Vipman, do CLL - Centro Latino de Idiomas, é comum um executivo chegar dizendo que precisa fazer um curso de espanhol para executivos, por exemplo, mas, durante a entrevista, descobrir, junto com o entrevistador, que as suas necessidades estão mais voltadas para um curso regular. "Ele precisa, na verdade, aprender a língua para se socializar com clientes e fornecedores. Vai usar o idioma para levar o convidado para um jantar, para conhecer a cidade. Ou quando é ele quem viaja, para fazer compras, se comunicar no hotel, enfim, é o uso da língua voltado para a comunicação interpessoal", esclarece Susana.
Identificado o foco, o aluno acaba encontrando mais facilidade na aprendizagem. No entanto, mesmo sem saber qual será o uso, é muito comum ver pais colocando os filhos ainda crianças em uma escola de línguas ou jovens adultos se inscrevendo em um curso após o outro. "Eles têm uma vaga idéia de que vão precisar no futuro, mas não sabem exatamente como será. Então, fica mais difícil aprender", diz a professora Maria Antonieta Celani, que também desmistifica a idéia de que é mais difícil para um adulto aprender uma língua. "Ao contrário, o adulto tem melhor concentração e memorização, é um usuário mais competente da língua materna e tem os objetivos da aprendizagem mais claros. No caso das crianças, a única vantagem está na pronúncia, pois elas assimilam melhor", garante a professora.

Se alguém descobrir um método tão rápido de aprender uma língua (referindo-se aos cursos relâmpagos), avise-me. Até lá, é preciso se dedicar e levar a sério SUSANA VIPMAN, PROFESSORA DE LÍNGUAS

Flexibilidade é a chave

A maioria das escolas de línguas percebe que o público executivo está crescendo e por isso praticamente todas apostam nos cursos com foco nesse público. Em geral, são cursos mais flexíveis, isto é, o conteúdo pode ser formatado de acordo com as necessidades do aluno; os horários das aulas não seguem um critério muito rígido, o que é comum nos cursos regulares; geralmente são aulas individuais ou grupos pequenos; as aulas podem ser feitas no local de trabalho do aluno; há disponível um serviço de apoio, tais como ajuda para montar uma apresentação, redação de documentos e emails, tradução de documentos. "A idéia é atender as necessidades desses alunos de forma que os resultados não sejam comprometidos, mesmo que tenham uma infinidade de compromissos profissionais a cumprir", garante o professor Armand Entezari, proprietário da World Language.
Embora as escolas de idiomas tentem ao máximo atender a esse público, não dá para deixar de seguir algumas recomendações. E todos os professores são unânimes quanto à freqüência das aulas. "Mesmo que o executivo tenha contratempos, deve repô-las", diz Susana Vipman. Outro ponto importante é o ritmo das aulas. Segundo os professores, não dá para aprender fazendo aulas durante um mês e passar o resto do ano sem freqüentar o curso.
Nem tudo é fácil

Quantos aos fatores negativos da aprendizagem, o de maior relevância, segundo Patrícia Mckay, é a pressão exercida no profissional, seja por parte da empresa ou por ele mesmo. "Vemos muitos alunos preocupados em aprender para garantir a permanência no emprego ou para conseguir uma promoção, e isso atrapalha o rendimento".
O tempo também é outra questão essencial no processo de aprendizagem. Se você acha que é possível aprender fluentemente uma língua em poucos meses, está completamente enganado, garante o professor Carlos Rigueira. De acordo com seus cálculos, para falar bem um idioma, como o inglês, são necessários pelo menos uns três anos. "Se a pessoa quer aprender mesmo, e não apenas falar, levará cerca de cinco ou seis anos", diz Rigueira.
Imagine, então, aquelas propagandas garantindo que você pode aprender inglês e espanhol em quatro semanas ou até mesmo dormindo. Os professores não deixam por menos: "é tudo mentira", dizem todos. "Não há fórmula mágica para aprender", observa a professora Maria Antonieta Celani.
Para o professor e escritor Carlos, há uma tendência muito comercial em boa parte das instituições de ensino de idiomas no Brasil. "Os donos de muitas escolas estão mais interessados em manter as salas de aulas cheias, e não no resultado obtido pelos alunos ao final do curso". Carlos explica que isso é facilmente percebido ao analisar a metodologia usada pela escola. Segundo ele, aquelas que utilizam a tradução como ferramenta básica na sala de aula cometem um grande erro. "É a mesma coisa em um carro no qual você acelera e pisa no freio ao mesmo tempo", compara.
A escolha certa

A decisão de iniciar um curso de idioma é importante para uma carreira de sucesso, mas, assim como o curso de graduação, é essencial que a escolha seja adequada ao seu perfil e aos seus objetivos, além, é claro, de primar pela qualidade. Segundo os professores, nesse momento é preciso observar alguns aspectos. Veja quais são eles:

> PESQUISE O CORPO DOCENTE.
O fato de um professor ser nativo não é garantia de que ele tenha capacitação em ensino de idiomas;
> PROCURE REFERÊNCIAS de alunos e ex-alunos;
> VEJA SE HÁ EMPATIA COM O PROFESSOR, caso contrário, é melhor mudar, pois isso pode comprometer o rendimento;
> VERIFIQUE OS RECURSOS QUE A ESCOLA UTILIZA, tais como laboratórios e material didático; este deve ser, de preferência, de literatura internacional;
> COMPROVE A IDONEIDADE DA INSTITUIÇÃO;
> DEIXE CLARO QUAIS SÃO OS SEUS OBJETIVOS, se é aprender a língua para viagens, gramática, negócios;
> ANALISE A LOCALIZAÇÃO DA ESCOLA, às vezes uma grande distância pode comprometer a freqüência;
> OBSERVE A BIBLIOTECA.
Veja se há vários dicionários e livros na língua em questão;
> EXAMINE O NÚMERO DE ALUNOS POR TURMA; o ideal é de no máximo doze;
> VERIFIQUE O TEMPO DE DURAÇÃO DO CURSO, os relâmpagos não são recomendados;
> PROCURE UMA ESCOLA ESPECIALIZADA na língua que você deseja aprender;
> INVESTIGUE A METODOLOGIA UTILIZADA.

Um comentário:

Professora Rúbia disse...

Olá ,

Adorei o artigo e peço autorização para utiliza-lo em meu blog.
Realmente esses cursinhos que prometem aprendizado de uma LE em pouco tempo são uma farsa, mas devemos lembrar também, que aquele aluno que tem facilidade pode sim aprender uma LE mais rápido. Isso depende também da dedicação ao estudo da LE e da facilidade em aprender uma outra língua.
Eu por exemplo comecei a estudar Russo, sou autodidata, dormia ouvindo uma fita ( de um curso) , e isso facilitou bastante para minha aprendizagem, é claro que esse é apenas mais um dos métodos que podem e devem ser utilizados, mas ele sozinho não tem um bom resultado.
um abraço
Professora Rúbia