segunda-feira, abril 14, 2008

ORIENTAÇÃO SOB MEDIDA



Matéria publicada na Revista Você S.A - abril/2008



Orientação sob medida


Foi indicado para um coaching e não sabe o que vem pela frente?
Entenda o conceito e tire melhor proveito dessa oportunidade
Por FRANÇOISE TERZIAN


Hoje é quase inevitável que um executivo não passe por um processo de coaching. A prática tornou-se comum, porém as pessoas e também as empresas têm visões variadas sobre o assunto. Por isso, antes de embarcar num processo desse, saiba se a orientação que você está recebendo é, de fato, um coaching. Uma forma simples de descobrir isso é avaliar se melhora sua performance. Sueli Milaré, diretora da Korum Transição de Carreira, conduziu uma pesquisa qualitativa, em uma tese de doutorado na PUC de Campinas, no interior de São Paulo, com dez executivos que passaram por um coaching. Entre os benefícios que marcam essa prática, ela revela que:
80% dos entrevistados melhoraram a fl exibilidade;

100% deles aprimoraram a capacidade de ouvir;

70% dos executivos evoluíram a capacidade de se relacionar;

80% dos entrevistados aprenderam a aceitar melhor as mudanças.


Foi o que ocorreu com Maurício Cerruti, de 42 anos, diretor da central de negócios do Pão de Açúcar. Há três anos, quando era responsável por um grupo de lojas da rede Extra, a companhia recomendou que ele passasse por um coaching para se adaptar rapidamente à cultura organizacional. Maurício vinha de um concorrente no qual o estilo de trabalho era bem diferente. Esse descompasso impedia que ele fosse aproveitado em cargos mais importantes, embora a empresa reconhecesse seu talento. Concluído o processo, Maurício pediu para continuar sendo orientado pelo coach externo. Para ele, o principal benefício foi ter se libertado de vícios profi ssionais, como falta de foco. Entendi o que era preciso fazer para evoluir na carreira , diz Maurício.


Como hoje há muitos coaches no mercado, antes de iniciar uma orientação vale a pena checar o que cada profissional oferece. Muitas vezes, o coaching é confundido com outras atividades de desenvolvimento, como mentoring e counselling. A diferença entre os três é sutil e mesmo especialistas têm dificuldades para estabelecer limites entre as definições. Basicamente, as diferenças são:


O coaching pretende apoiar e desenvolver a performance e o crescimento profissional do indivíduo. Visa fortalecer uma habilidade específica e tem data para começar e terminar. Normalmente, utiliza-se uma metodologia estruturada no processo. A empresa precisa acompanhar o trabalho do orientador, para que ele seja completo.


O counselling ajuda a tomar decisões de acordo com a trajetória profissional no longo prazo. O conselheiro pode sugerir outras formas de desenvolvimento profissional e pessoal, como coaching ou psicoterapia.


O mentoring passa pela aquisição de conhecimento com um profissional de destaque em sua área, capaz de dar conselhos e passar sua experiência. Ao contrário do coaching e do counselling, é gratuito e nasce de um relacionamento pessoal com o mentor.


Feita essa separação entre os programas, você e sua empresa devem ter o cuidado para não contratar um coach despreparado ou com pouca experiência. Está começando a acontecer um tipo de distorção de conceitos que já ocorreu com o outplacement, afirma a consultora de carreira Vicky Bloch, presidente da Vicky Bloch Associados, que recomenda pesquisar a formação, a experiência e a metodologia do profissional e buscar referências. Abaixo, outras questões que costumam aparecer numa discussão sobre o tema.


1 A quem se destina o coaching?


A princípio, todo mundo pode fazer. No entanto, devido ao custo e à longa duração, de seis a oito meses, com seções semanais ou quinzenais, as empresas restringem o número de participantes. Normalmente, a oferta é destinada somente aos primeiros níveis, líderes e média gerência com potencial de crescimento. Para o alto escalão, o coaching se tornou obrigatório. Quanto mais a pessoa sobe na hierarquia, mais solitária ela fica e precisa de alguém para ajudá-la a refletir sobre sua atuação. Maria Ester Pires da Cruz, gerente de desenvolvimento de carreira do Ibmec-SP, lembra que em certos momentos da carreira um coach é mais do que necessário. Exemplos? Quando o profissional apresenta dificuldade para gerir a equipe, tem dificuldade para aceitar mudanças ou passou por um momento pessoal difícil.

2 Coaching é reciclagem?


Outro problema é que algumas empresas confundem o conceito com reciclagem ou conserto. Essa má idéia está relacionada à aplicação do coaching na década de 1980, voltada para colocar funcionários na rota, em uma tentativa de evitar a demissão. Faz tempo que essa visão mudou. O coaching hoje é destinado às estrelas, aos profi ssionais que dão resultado e representam o futuro da empresa, garante Flora Victoria, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Coaching.
3 O funcionário pode solicitar o coaching?


No passado, o coaching era uma iniciativa unilateral da empresa. Hoje, funcionários interessados em evoluir têm se candidatado ao processo por conta própria. Para alguns coaches, a vontade de evoluir deve ser vista como algo positivo. Álvaro Luiz Soares Trilho, gerente de seguros da Votorantim Investimentos Industriais, solicitou à empresa um coach e foi atendido. Álvaro queria saber se o conhecimento que havia adquirido em um MBA daria apoio às suas aspirações. No final do processo, descobri que estava preparado para desafios maiores, diz Álvaro.

4 O chefe pode ser o coach?


Existe uma discussão em torno da figura do coach. Ele deve ser chefe ou um consultor externo? Querendo ou não, o chefe é um líder que, naturalmente, faz o papel de coach do seu subordinado. Sua função, neste caso, é dar feedback, ser claro nas instruções e acompanhar o desenvolvimento. Um coach externo é recomendado em casos como a necessidade de melhoria de performance, adaptação do profissional a uma nova realidade ou problemas de relacionamento. Com um orientador externo, Jacqueline Lopes, de 42 anos, diretora de marketing da rede Spoleto, melhorou um ponto fraco a capacidade de gestão ingressando em um MBA. Também maximizou pontos fortes, como a oratória. A isenção é fundamental. O coach externo nos vê como um produto e dá valor agregado, diz Jacqueline. Esse é um dos maiores diferenciais do processo.

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