sexta-feira, março 10, 2017

O que La La Land nos ensina sobre escolhas profissionais

Filme com 14 indicações ao Oscar vai muito além das músicas e faz pensar em como fazer escolhas da melhor maneira realizando os sonhos

Por Gislene Isquierdo*
Os personagens Mia (Emma Stone) e Sebastian (Ryan Gosling) no filme La la land | <i>Crédito: Flickr/BagoGames
Os personagens Mia (Emma Stone) e Sebastian (Ryan Gosling) no filme La la land | Crédito: Flickr/BagoGames
O filme “La La Land – Cantando Estações”, que já é considerado um dos favoritos para ganhar o Oscar desse ano, fez muitas pessoas saírem do cinema com vontade de cantar e dançar. O que poucos perceberam é que o filme é um ponto de partida para aprender importantes lições sobre como conduzir a carreira e realizar os sonhos profissionais. Para pensar nisso, precisamos refletir sobre 5 elementos da história do filme e por isso, este texto precisa revelar detalhes da trama.
 
Logo no início da história, Sebastian é despedido de um trabalho no qual ele tem que tocar músicas que não gosta.
Lição número 1 – Área similar:
Muitas vezes, você terá que realizar atividades que não são tão prazerosas quanto gostaria, mas se de alguma forma o seu trabalho atual estiver ligado à área de atuação dos seus sonhos, continue. Isso pode ser um degrau a mais na escada da sua realização profissional.
 
Mia, que trabalha de atendente em uma cafeteria, leva um não atrás do outro ao realizar testes para ser atriz.
Lição número 2 – Persistência.
Enquanto você está buscando a carreira dos seus sonhos, tenha um trabalho que te dê condições financeiras e não fique em casa esperando acontecer. E saiba receber com o ‘não’, isso te deixará mais forte e maduro para lidar com o ‘sim’.
 
Mia vê Sebastian ser despedido e vai falar com ele, porém ele a destrata.
Lição número 3 – Relacionamentos
Esteja aberto a conhecer novas pessoas e trate-as bem. Você nunca terá certeza de quem serão as pessoas que irão te apoiar a realizar o seu sonho profissional. Inclusive, esse é um ponto importante. Você realizará seus sonhos de forma mais rápida se tiver o apoio de pessoas. Então quero aproveitar e te fazer uma pergunta: Você é mestre ou desastre nos seus relacionamentos? De 0 a 10, quão bom você é na arte de se relacionar? 
 
Sebastian e Mia começam a namorar e ele não consegue ir a um evento muito importante para ela, pois ele esqueceu as datas e já tinha marcado um compromisso com a banda na qual estava tocando.
Lição número 4 – Organize sua agenda: 
Uma boa organização da agenda permite que todos os compromissos sejam feitos. Uma agenda organizada permite que até mesmo a rotina mais atribulada contemple todos os compromissos. E quando o compromisso for muito importante, coloque um lembrete no seu celular.
 
Mia passa em um teste e consegue realizar seu sonho de ser atriz, enquanto Sebastian está tocando em uma banda, realizando muitas turnês, o que permite que ele ganhe muito bem e junte dinheiro para montar a sua própria casa de jazz. No entanto, em meio a toda a trama os dois se separam e vão viver seus sonhos profissionais.
Lição número 5 – Encontre saídas: 
Muitas vezes, uma oportunidade profissional parece afetar algo pessoal. Um trabalho em outra cidade ou país parece atrapalhar alguns projetos pessoais, e uma promoção pode exigir mudanças não planejadas. Mas as opções nem sempre são óbvias e divididas entre o sim e o não. O segredo é encontrar formas de realizar os sonhos de uma área sem atrapalhar as outras.

*Este artigo é de autoria de Gislene Isquierdo, psicóloga, master coach e especialista em desenvolvimento humano, e não representa necessariamente a opinião da revista.

A ilusão e a oportunidade da crise

É durante momentos econômicos como o atual que residem as melhores oportunidades para as empresas contratem profissionais qualificados por salários mais enxutos
Alexandre Attauah*
Seleções: o ponto de atenção está na agilidade, sem descuidar da qualidade, para não perder profissionais talentosos para outras oportunidades | <i>Crédito: Pixabay
Seleções: o ponto de atenção está na agilidade, sem descuidar da qualidade, para não perder profissionais talentosos para outras oportunidades | Crédito: Pixabay

Um cenário econômico desfavorável pode ser traiçoeiro quando o tema é o recrutamento de profissionais qualificados. Ao mesmo tempo em que o momento sugere uma oportunidade para as empresas encontrarem mais talentos, uma vez que existem mais profissionais disponíveis, há a ilusão de que essa tarefa seja mais fácil.
 
O processo de desligamento de um profissional nunca é fácil. Ainda mais em cenários adversos. Se a companhia passa por dificuldades é preciso um critério para realizar o corte. Em geral, a primeira análise feita é em relação à performance profissional. Os primeiros a perderem seus postos são aqueles que estão abaixo do rendimento esperado. À medida em que a situação se torna mais crítica, a empresa se vê obrigada a abrir mão também de bons profissionais, principalmente se estiverem com salários muito elevados para o momento de mercado. Estes, porém, costumam estar em menor número do que os da primeira leva.
 
O desafio de recrutar se torna ainda mais complexo. Há maior oferta de profissionais, porém com características diversas, ou seja, desde perfis de baixa performance a executivos de alta qualificações com salários elevados e fora da realidade do cenário econômico atual. Dessa forma, quando uma vaga é aberta, os recrutadores recebem centenas de currículos que, infelizmente, não atendem à demanda.
 
Curiosamente, apesar da dificuldade de selecionar o perfil ideal em meio a elevada oferta de candidatos, é durante momentos econômicos como o atual que residem as melhores oportunidades para as empresas contratem profissionais qualificados por salários mais enxutos. Quando o mercado está desaquecido o poder de negociação passa para o lado das companhias, já que não há tantas vagas no mercado.
 
Em algumas áreas como finanças e contabilidade, que sofre maior pressão por redução de custos e resultados mais apurados, além da necessidade de poder absorver maior volume de trabalho com a menor equipe possível, é insustentável manter profissionais de baixa performance. 
 
Enquanto o mercado estiver turbulento, as empresas que souberem reavaliar as equipes da área de custos, fiscais, auditoria, cobrança e crédito, subindo a régua do desempenho com substituições estratégicas ou a partir da contratação de talentos com salários mais condizentes com o cenário, seja em posições permanentes ou por projetos especializados, estarão mais preparadas e competitivas para quando os ventos da economia soprarem a favor. Aliás, quando o mercado aquecer, os bons profissionais voltam a ter os seus salários valorizados e o custo para atraí-los também aumenta.
 
Dessa maneira, é preciso olhar para os processos de recrutamento como algo estratégico para a companhia. É necessário dedicação para que ele seja realmente bem feito e eficiente para atrair os profissionais ideais para a vaga. Independente do momento do mercado, o ponto de atenção está na agilidade, sem descuidar da qualidade, para não perder profissionais talentosos para outras oportunidades. Não há dúvidas, no entanto, de que agora é o melhor momento para reforçar as equipes com mão de obra qualificada e se preparar para os desafios futuros. 
 
*Este artigo é de autoria de Alexandre Attauah, gerente sênior da Robert Half, e não representa necessariamente a opinião da revista

segunda-feira, março 06, 2017

4 táticas para derrotar o procrastinador que existe em você




Procrastinar é humano. Mas existem algumas técnicas simples para cumprir prazos no trabalho e melhorar a sua relação com o tempo
São Paulo – O hábito da procrastinação faz parte da natureza humana. Em sua busca constante por prazer e conforto, nosso cérebro é hábil em criar desculpas para adiar tarefas complexas, intrincadas ou desinteressantes.
Embora universal, essa postura é reforçada por um traço cultural do brasileiro, diz diz Andrea Piscitelli, professora da Faap e especialista no tema.
Tradicionalmente menos preocupados com atrasos, costumamos dar uma importância relativamente menor às pequenas (ou grandes) acomodações de prazos no trabalho.
Assim, dos problemas pessoais às horas extras trabalhadas no dia anterior, tudo vira motivo para se permitir mais alguns minutos de descontração antes de iniciar uma tarefa maçante.
Na visão do professor Alessandro Saade, fundador da iniciativa Empreendedores Compulsivos, a característica má administração do tempo do brasileiro tem ainda um fator agravante: a crise econômica vivida pelo país.
“Diante de tanto desânimo no mercado de trabalho, muita gente acaba ficando melancólica, paralisada e improdutiva, o que por sua vez causa ainda mais insatisfação”, explica ele.
A boa notícia é que é possível vencer o marasmo e o vício de adiar tarefas com algumas táticas simples. Veja a seguir 4 delas:

1. Não comece a trabalhar imediatamente

Sim, isso mesmo: para evitar atrasos, você não precisa ter pressa. De acordo com Piscitelli, é mais estratégico dedicar os primeiros 20 minutos do expediente ao planejamento. “Em vez de começar a trabalhar imediatamente em qualquer coisa, pare para analisar com calma quais são os seus compromissos e tarefas do dia”, orienta a professora da Faap.
Faça então uma lista com as suas prioridades: primeiro o que é urgente e importante; depois o que não é urgente, mas é importante; em seguida, o que não é importante, mas é urgente; e, por último, o que não é urgente nem importante. Quanto mais claro e organizado estiver o seu roteiro para o dia, menor a probabilidade de você “sair dos trilhos”.
Ainda assim, pondera Piscitelli, é importante ter jogo de cintura para flexibilizar a sua agenda diante de eventuais imprevistos – mas só até certo ponto.

2. Procure conectar pequenas tarefas a grandes propósitos

Para Tathiane Deândhela, autora do livro “Faça o tempo trabalhar para você” (Editora Ser Mais, 2016), muitos procrastinadores criam mecanismos inconscientes para atrasar certas atividades porque no fundo não querem executá-las. “Isso ocorre especialmente quando você não enxerga como aquela tarefa agrega valor à sua vida”, explica.
Uma forma eficaz de lidar com isso é visualizar como cada pequena entrega do seu cotidiano se liga aos seus grandes objetivos de carreira. Preencher uma planilha semanal de acompanhamento para o seu chefe pode parecer uma tarefa operacional e pouco importante, mas servirá para mostrar a ele a qualidade do seu trabalho – o que, a médio prazo, poderá se traduzir numa promoção ou num aumento, por exemplo.
Para Deândhela, faz toda a diferença pensar nas razões mais significativas para cada ação do dia a dia. Enquanto não enxergar um sentido profundo nos seus afazeres, você sempre estará suscetível à autossabotagem.

3. Adote um “assistente”

Você já teve a sensação de que precisaria de um secretário pessoal para organizar a sua agenda? Saiba que a sua demanda faz todo o sentido – mas que não necessariamente a ajuda precisa ser humana. Há uma infinidade de sites, aplicativos e dispositivos tecnológicos que foram desenvolvidos especialmente para salvar os procrastinadores.
Saade recomenda duas ferramentas gratuitas. A primeira é o Google Keep, gerenciador de tarefas que possibilita criar, editar e cruzar tarefas. Nele, é possível criar rótulos para cada atividade, como “reunião”, “aula”, “família”, “projeto A”, “projeto B”, além de programar lembretes. A segunda sugestão do professor é a ferramenta Insightly, que permite gerir projetos por meio de pipelines e compartilhar tarefas com outros usuários.
Há, porém, uma ressalva fundamental. Sem clareza sobre as suas prioridades ou motivação para cumprir seus compromissos, dificilmente a tecnologia vai ajudar. “Se você estiver desorganizado, os sons, luzes e notificações constantes dos aplicativos podem até se tornar uma fonte de irritação, e logo você irá abandoná-los”, diz Saade.

4. Crie mecanismos de recompensa

A psicologia comportamental fornece alguns dados interessantes para gerir melhor o tempo. Um deles é a suscetibilidade do nosso comportamento às recompensas.
De acordo com Saade, o autoconhecimento é fundamental para usar esse mecanismo a seu favor. “Você precisa se conhecer bem para saber o que traz prazer e gratificação para você”, explica ele. “Pode ser uma sessão de 10 minutos numa rede social, uma pausa para tomar um café ou ler um livro, por exemplo”.
Definidos os “presentes” que você mais deseja, o passo seguinte é vinculá-los ao cumprimento de cada etapa de trabalho. Se você precisa fazer um relatório, por exemplo, combine consigo mesmo que só levantará para tomar um café assim que concluí-lo. Além de representar uma motivação extra para terminar a sua atividade, a recompensa trará uma sensação de conquista e merecimento, dois ingredientes fundamentais para impulsionar ainda mais a sua produtividade.

terça-feira, fevereiro 21, 2017

A Síndrome do Coitadismo

É natural, quando crianças, vivermos sob as asas e os cuidados de nossos pais. Conforme o tempo passa, a escola da vida e até mesmo nossos melhores mentores (nossos próprios pais) vão nos mostrando que, para escrevermos nossa própria história, é necessário deixarmos de ser codjuvantes e passarmos a protagonistas das nossas próprias decisões.
Há pouco tempo, por um descuido, me acidentei. Passei por um cirurgia no punho esquerdo e nesse conturbado momento de minha vida, ao ouvir do próprio médico que ficariam sequelas (perderia alguns importantes movimentos), um filme me veio à mente e uma reflexão profunda sobre tudo aquilo que algum dia vivi tomou conta do meu cerne e da minha própria alma.
Lembro como se fosse ontem. Sentado na beira da cama tentando colocar sozinho uma simples camiseta. Levei cerca de 10 minutos para conseguir a tal proeza. Os olhos se encheram de lágrimas enquanto o coração enchia-se de orgulho. Nos primeiros dias, logo depois do acidente, voltei a viver sob as asas de minha mãe, como um pássaro vive seus primeiros dias antes do seu primeiro voo.
Como um pequeno descuido (acidente) pode mudar uma vida?
Passei meses dependendo da ajuda de terceiros, mesmo sabendo que já tinha forças suficientes para andar novamente sozinho. Era cômodo para meu cérebro evitar movimentos e poupar energia quando se pode terceirizar certas tarefas. Porém, meu core business também estava terceirizado e muito por isso minha vida (negócio) estava estagnada. A síndrome do coitadismo já havia tomado conta, estava dependendo dos outros para andar com minhas próprias pernas.
O coitadismo é o veneno mais mortal para aqueles que querem escrever sua própria história. Existem inúmeras pessoas que vivem reclamando da vida, se fazem de coitadas para atrair a atenção e os cuidados alheios. A síndrome do coitadismo acomete boa parte da população, é um veneno nocivo que dilacera corações e destrói vidas.
Conheço inúmeros relacionamentos que vivem sob a sombra do coitadismo. Algumas pessoas são capazes de prender sua própria felicidade por medo de destruírem o coração alheio. Essa fraqueza chamada "coitadismo" é capaz de prender vidas. Homens e mulheres são capazes de usar essa síndrome para prender o coração do cônjuge. Será que você é uma dessas pessoas?
As mazelas sentimentais, as dores das dificuldades que a vida nos impõe servem como aprendizado. Além disso, servem também como força motriz ou choque mental para mudarmos o rumo de nossa própria jornada. Feliz aquele que sabe extrair das suas piores dores motivos suficientes para não desistir da luta.
Nossas desculpas são como muletas. Em vez de de nos ajudarem, só atrapalham. Quantas pessoas prenderam seu sorriso por medo de fazerem alguém sofrer? Ou melhor, quantos de nós usou as velhas desculpas ou mesmo terceirizou tarefas de suma importância (core business) para o futuro de nossos empreedimentos? Quem vive sob a sombra alheia é porque não tem luz suficiente para iluminar seu próprio caminho.
O que é melhor para você: deixar sua vida no piloto automático (deixar que outras pessoas tomem decisões por você) ou assumir de vez o controle sobre sua própria vida e escrever sua própria história?
Para refletir: existia uma linda garota (devia ter seus 25 anos) durante boa parte de sua vida (sem perceber, ou ao menos dar-se conta do piloto automático que deixou ligado durante anos) passou anos importantes de sua vida no fundo de uma cama, sob os cuidados de sua mãe. Um belo dia, por ironia do destino, sua amada progenitora veio a falecer e, sem perceber, ela levantou-se da cama (mesmo depois ter se afundado em lágrimas), colocou um sorriso no rosto e passou a andar com sua próprias pernas (viver).
Existem funções em nossa empresa ou vida que não podem (nem devem) ser terceirizadas, pois as mesmas dependem única e exclusivamente de nós mesmos.
Não deixe que as cortinas da vida se fechem ou que você veja sua história passar diante de seus próprios olhos antes mesmo de você dar seu próprio show.
Leonardo Posich